Dois atos, um mesmo sentido



Já tinha visto escola virar presídio, mas nunca, no Brasil, presídio virar escola.

Em Novo Horizonte, na Serra, numa cerimônia plena de simbolismo, foi demolido o presídio que ficava no mesmo espaço onde um dia existiram as tristes celas metálicas que o Ministro Nilson Naves, em voto lapidar, afirmou ser lugar onde "se acondiciona carga, se acondicionam mercadorias, etc.; lá certamente não se devem acondicionar homens e mulheres".

Caiu um presídio e entraram a praça da liberdade e uma escola.

Por isso, 16 de maio é um dia histórico.

De afirmação dos valores da dignidade da pessoa humana, da certeza de que é tempo de mais justiça e fraternidade, da certeza de que os atos de violência não mais serão tolerados e os presos receberão o tratamento que a lei lhes assegura.
No mesmo dia em que o presídio de Novo Horizonte e toda sua história de barbárie e horror foram jogados ao chão, o governo inaugurou um novo Presídio, em Vila Velha.

E de novo, a reafirmação dos valores da dignidade, quando o Governador Renato Casagrande afirmou que a segurança pode conviver com o respeito à pessoa humana e reafirmou seu compromisso de que atos de violência contra os detentos não serão tolerados.
É certo que ainda falta muito. É verdade que sim.

Mas, de agora em diante, é nossa esperança e nossa crença, no Espírito Santo
"se ouvirá o canto do amor
e não mais ferirá o silêncio da noite
estampidos perdidos."

Homero Junger Mafra

17/05/2011

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