Presidente da OAB-ES comemora decisão do STF sobre o Exame de Ordem em solenidade de entrega de carteiras

“Hoje é um dia especial para a advocacia. Nós estamos seguros, e agora com a definição do Supremo Tribunal Federal, de que estávamos no caminho correto quando criamos o Exame de Ordem”. Foi desta maneira que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), Homero Junger Mafra, iniciou seu pronunciamento na solenidade de entrega de carteiras realizada nesta quinta-feira (27), na sede da Seccional. Foi a segunda solenidade da semana de entrega de carteiras realizada na OAB-ES.

Homero Mafra se referia à decisão unânime do STF pela constitucionalidade do Exame de Ordem. O tema foi marcante na solenidade em que 23 bacharéis de direito da 8ª Subseção de Vila Velha se tornaram advogados.  “Se nós não tivéssemos o Exame de Ordem, todos entrariam, todos pagariam as anuidades, a Ordem seria riquíssima e a Ordem seria paupérrima, porque de que adianta você ter dinheiro se você não consegue ter profissionais comprometidos com a justiça, com a ética, com a dignidade profissional” afirmou Homero Mafra.

O presidente da Seccional fez questão de destacar que “quem mais sofreria com o fim do Exame de Ordem não seriam os poderosos, seriam os despossuídos. Aqueles que têm dinheiro iriam procurar os bons advogados. A quem os despossuídos iriam procurar? Aqueles que não sabem sequer a diferença do Código Civil e do Código Penal”, disse.

O fato também foi destacado pelo presidente da Subseção de Vila Velha, Marcus Felipe Botelho Pereira. “Se vocês pesquisarem, vão verificar que existem faculdades neste país que não conseguiram aprovar sequer um candidato ao Exame da Ordem. E realmente um profissional mal formado, mal preparado, não é um dano apenas para o seu cliente, ele é um dano a toda a sociedade.”

Na solenidade, o presidente da OAB-ES citou, ainda, a aprovação no Senado da criação da Comissão da Verdade. “É preciso que se saiba o que aconteceu no período da ditadura neste país. Cachoeiro de Itapemirim se pergunta onde está Arildo Valadão, Santa Teresa se pergunta onde está Orlando Bonfim, Nova Venécia se pergunta onde estão nossos dois jovens que foram para o Araguaia. Marcos Lima, também de Santa Teresa, onde andará?”.

Homero Mafra acrescentou: “É preciso que os arquivos sejam abertos. É preciso que nós saibamos essa parte escondida e esquecida da história do Brasil. Por isso a luta da Ordem, por algumas Seccionais em especial, mas espero que o Conselho Federal a tome também como sua, por uma Comissão da Verdade que possa desvendar esse período da história do Brasil.”

O paraninfo da turma foi o advogado José Miguel Ribeiro Vionet, que fez questão de enfatizar a importância da Ordem e da advocacia para a sociedade. “Esta carteira deve ser para os senhores um emblema, mais que uma credencial, que fará com que os senhores percebam que são pessoas extremamente distintas. Ser um membro dessa Ordem é mais que uma honraria. E vocês precisarão ser como guardiões desta missão de conduzir também a Ordem dos Advogados, fazendo com que ela permaneça como o verdadeiro guardião da justiça, guardião da constitucionalidade, guardião das leis, das normas jurídicas”.

O compromisso foi lido pela advogada Raquel Zippinotti. Na terça-feira (25) outros 50 advogados receberam a carteira da OAB-ES. Na ocasião o compromisso foi lido pelo advogado Sidirley Soeiro de Casto. O orador da turma foi Felipe Dantas Braga Neto e o paraninfo foi o Procurador do Estado aposentado, Antônio Carlos Pimentel Melo.

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