OAB-ES participa de debate da TV Vitória com independência e técnica

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), questionou os candidatos à prefeitura da Capital que participaram do debate da TV Vitória realizado na noite desse domingo (26) na faculdade Estácio de Sá, em Jardim Camburi, com questões técnicas e independentes. As perguntas direcionadas aos candidatos perpassaram por temas como corrupção, direitos humanos e economia.

As perguntas foram feitas pelo secretário-geral da Ordem, Ricardo Brum, pelo diretor-tesoureiro, Giulio Imbroisi, pela conselheira federal, Flávia Brandão e pela conselheira e presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, Verônica Bezerra.

Seguindo a ordem do sorteio do debate, o primeiro questionamento foi feito ao candidato do PT, Perly Cipriano.  A conselheira federal o lembrou dos recentes escândalos de corrupção enfrentados pelo partido e que abalaram sua reputação, e o perguntou sobre como ele pretende tocar seu programa de governo neste cenário de crise econômica, principalmente na saúde.  

Flávia Brandão questiona Perly Cipriano. Foto: Fábio Machado/Folha Vitória.



“É preciso esclarecer que no ranking de corrupção o PT é o 11°. PMDB, PSDB, PP e outros estão na frente. Mas tenho muita vergonha dessa posição. Não existe corrupção de esquerda nem de direita. É preciso combater sempre. E sempre fiz isso. São mais de 60 anos nessa luta. Quanto à saúde temos que entender que não se trata apenas de construir o hospital e contratar o médico e enfermeiro. A questão ambiental, de saneamento, também tem a ver com saúde. É muito mais do que apenas doenças. A questão ambiental precisa ser tratada em Vitória, então, com todos os recursos ainda seriam insuficientes para uma cidade como a nossa que está enferma. Vitória está enferma porque o pó preto está atacando todas as pessoas”, respondeu Perly Cipriano.

Após a resposta do candidato, a conselheira Flávia Brandão voltou a questioná-lo sobre a viabilidade de recursos para implementar os projetos que constam em seu programa de governo, principalmente na mobilidade urbana e no fomento ao emprego e segurança.

As perguntas foram feitas pelo secretário-geral da Ordem, Ricardo Brum, pelo diretor-tesoureiro, Giulio Imbroisi, pela conselheira federal, Flávia Brandão e pela conselheira e presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, Verônica Bezerra. Foto: Fábio Machado/ Folha Vitória.



“Nosso programa é muito preciso. Primeiro queremos envolver a sociedade. Vitória tem muito recurso, não é verdade que ela está em uma situação tão trágica. Porque aqui temos a saúde do governo federal e estadual, então uma parte já foi atendida. E tem também na educação uma parte atendida pelo poder público. Então, não é só a prefeitura. Nós vamos cumprir com toda dedicação àquilo que diz respeito à população de Vitória”, respondeu o candidato do PT.

Na sequência, o secretário-geral da OAB-ES, Ricardo Brum, questionou o candidato Lelo Coimbra (PMDB) sobre sua proposta de fortalecer a Procuradoria do município diante da queda de recursos e quais são os projetos específicos para esta área, além de pontuar se o deputado federal pretende mudar a coordenação da execução das dívidas, hoje responsabilidade da secretaria municipal da Fazenda.

Ricardo Brum perguntou para Lelo Coimbra. Foto: Fábio Machado/TV Vitória.



“Sou o relator da PEC 82, que é a PEC que fortalece o trabalho da advocacia pública. Meu trabalho com os advogados públicos sempre existiu por onde passei com mecanismos importantes para o desenvolvimento da sua atividade. A importância da advocacia pública na Procuradoria do município é muito grande para recuperar a dívida ativa e com planos de trabalho que possam contribuir para recuperar esses recursos. Como chefe do Executivo quero estar junto a maior parte do tempo com a Procuradoria para buscar esses caminhos e esses mecanismos”, respondeu o candidato Lelo Coimbra.

Após a resposta do deputado federal, Ricardo Brum voltou questioná-lo sobre o projeto específico de fortalecimento da Procuradoria.

“Esses projetos específicos estão sendo trabalhados junto com representantes da advocacia pública e com membros da própria Procuradoria da cidade”, respondeu Lelo Coimbra.

A terceira pergunta feita por representantes da OAB-ES foi direcionada ao candidato Amaro Neto (SD). A conselheira Verônica Bezerra lembrou o jornalista e deputado estadual que o Espírito Santo é o segundo Estado onde mais matam jovens e o questionou sobre suas propostas de políticas afirmativas para a juventude na esteira das garantias constitucionais e alicerçadas no Estado Democrático de Direito, que são a dignidade da pessoa humana e valorização dos direitos humanos.

Verônica Bezerra fez questionamentos a Amaro Neto. Foto: Fábio Machado/Folha Vitória.



“Mais do que nunca no Balanço Geral, programa que apresento nessa emissora, vi de perto os problemas enfrentados por nossos jovens. Vou dar um exemplo. Fui ao Forte São João e encontrei vários jovens que estavam na rua, sem ter o que fazer, e eles me pediram para construir uma quadra, um campo, porque eles não tinham nada para fazer na região”, respondeu o deputado estadual Amaro Neto.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, Verônica Bezerra, perguntou ao candidato do solidariedade se o mesmo já havia assinado o pacto em defesa da juventude capixaba, proposto pelo Conselho Estadual da Juventude e encaminhado para todos os candidatos.

“Se não assinei eu assino agora. Como estou em campanha, talvez eu não tenha recebido. Mas se tiver aqui pode me entregar que vou assinar com todo o prazer”, prometeu Amaro Neto.

Encerrando a participação da OAB-ES no debate da TV Vitória, o diretor-tesoureiro Giulio Imbroisi questionou o atual prefeito da Capital, Luciano Rezende (PPS), sobre a receita do município previsto no Orçamento de 2017. Imbroisi o lembrou que, conforme consta no Projeto Lei (PL) enviado a Câmara Municipal, a expectativa é de contar com R$ 1 bilhão e 548 milhões, cerca de 8,5% a menos que a média dos últimos anos, e o questionou sobre como ele fará para equilibrar as despesas que crescem de forma independente, principalmente nas áreas de saúde, educação e mobilidade urbana.

Giulio Imbroisi perguntou para Luciano Rezende. Foto: Fábio Machado/ Folha Vitória.



“Todas as propostas do nosso plano de governo estão sendo cumpridas. E como estamos fazendo isso? Cortando gastos. Vitória foi a Capital que mais cortou gastos de custeio em 2015. Isso é feito com diminuição de valor de contrato, de diárias, de uso de automóveis, de cargos comissionados, o que foi feito pela primeira vez na história da cidade, fortalecendo o efetivo, o servidor da casa, enfim, um esforço permanente para adequar o orçamento a situação financeira dos municípios. E sendo feito com êxito, cumprindo a risca a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”, respondeu Luciano Rezende.

Presidente da OAB-ES, Homero Mafra avaliou que a presença da Ordem no debate foi realizada com perguntas totalmente independentes. “A OAB-ES é independente. Claro que eu, como cidadão, tenho a minha posição pessoal. Mas ela não contamina a posição da Ordem. Esse debate mostra a postura de cada candidato em cada campo. No campo da democracia, os que aceitam as críticas e as recebem bem, os que não sabem conviver com crítica, os que estão prontos para dirigir uma cidade ou não, enfim. Isso cabe ao eleitor, a partir dessa troca de perguntas, dessas respostas avaliar. É fundamental o debate porque, na democracia, o conflito de ideias é essencial.

Além do presidente Homero Mafra e dos integrantes da Ordem que fizeram as perguntas no debate, o conselheiro Carlos Augusto da Motta Leal fez parte da Comissão de Direito de Resposta. Estiveram presentes ao debate a vice-presidente Simone Silveira, a secretária-geral adjunta Erica Neves, a conselheira Flávia Aquino e a advogada Flávia Murad.

keyboard_arrow_up