União contra desmonte da Justiça do Trabalho reúne várias entidades em protesto
“Não ao desmonte do Estado Brasileiro e dos Direitos Sociais” O grito inflamado do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Espírito Santo (OAB-ES), Homero Mafra, foi entoado durante o protesto nesta quarta-feira (26) contra as seguidas investidas pelo fim da Justiça do Trabalho. Ao todo, mais de mil pessoas participaram da manifestação de acordo com a Polícia Militar.
O Ato realizado pelo Fórum Capixaba Permanente em Defesa da Justiça do Trabalho, do qual é integrante a OAB-ES, aconteceu em frente ao Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES) com a presença de diversas entidades representativas, advogados, magistrados e serventuários. A diretoria da Seccional foi representada, além do presidente Homero Mafra, pela vice-presidente Simone Silveira e pelo diretor-tesoureiro, Giulio Imbroisi.
O presidente da Ordem enfatizou ainda que “não se pode admitir que direitos conquistados com luta possam ir embora da forma como está sendo feito. Quando dizemos não ao desmonte, dizemos sim à Justiça do Trabalho. A sociedade civil está aqui dizendo para a sociedade política que não podemos nos tornar reféns do grande capital, não podemos nos tornar reféns de uma agenda supostamente modernizadora, mas que de modernizadora não tem nada. ”
Homero Mafra conclamou as pessoas que ainda estavam no prédio do TRT-ES para que descessem para participar da luta por seus direitos. Direitos esses que muitas vezes são violados em repressão aos movimentos sociais. “É preciso que o comportamento da Polícia Militar seja o mesmo de hoje (26/04), e não o comportamento extremamente repressivo que vemos nas manifestações populares por parte da PM. Estamos verificando uma repressão muito grande da PM aos movimentos sociais”, afirmou o presidente da Ordem.
Presidente do TRT-ES, desembargador Mário Ribeiro Catarino Neto, conclamou a união de forças neste momento de tentativa de desmonte. “Juntos conseguirmos barrar essa iniciativa que visa destruir a Justiça do Trabalho, que pode acarretar um desastre social", alertou.
Em seu discurso durante o protesto, o presidente da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages), Ezequiel Turíbio, pontuou que é “preciso resistir a esses movimentos de reformas que têm um único fim de esconder as mazelas políticas que ocorreram e ainda ocorrem neste país. Vamos apoiar a Justiça do Trabalho, que tem um excelente serviço prestado à nação brasileira. Boa parte desses deputados têm débitos com trabalhadores, suas empresas respondem à Justiça do Trabalho, por isso a razão do ódio pelo trabalhador", explicou.
Representando o Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) e a Associação Nacional dos Procuradores, o procurador-chefe do MTP-ES, Estanislau Tallon Bozi, declarou que o patronato sabe que a destruição do direto do trabalho vai custar caro. "O trabalhador que vai almoçar em meia hora vai se acidentar, vai adoecer e a produção vai cair. O patronato não pode defender a reforma previdenciária também, porque não vai garantir o emprego até 60 anos. A Justiça do Trabalho é peça importante na defesa desses direitos, mas está sendo atacada porque funciona, a despeito do corte orçamentário, da dificuldade", acredita.
Para o presidente do Sindicato dos Advogados, Ben-Hur Dan Farina, as entidades cumpriram o papel de mostrar que a Justiça do Trabalho não é só da magistratura, mas também da sociedade e da advocacia. "Não podemos parar. Temos agora que fazer um trabalho constante com nossa bancada federal para defender a manutenção da Justiça do Trabalho", conclamou.
De acordo com Fabrício Gourlart, representante da Nova Central Sindical de Trabalhadores do Estado do Espírito Santo - NCST/ES, o ato foi importante para o momento por qual passa o país. "A participação foi em massa. A manifestação foi pacífica. É importante conscientizar a população sobre essas 'reformas' que o Governo Federal quer impor ao trabalhador", declarou.

