Presidente da OAB-ES recebe mães de vítimas de assassinatos

“Não buscamos vingança, buscamos justiça”. Esse é o apelo de um grupo de mães e familiares de vítimas de homicídios recentes que se reuniu nesta sexta-feira (30) à tarde com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Espírito Santo (OAB-ES), Homero Junger Mafra.
Ao término do encontro, o presidente da Seccional destacou: “Temos que entender que as decisões estão sujeitas a recurso e que a liberdade não significa absolvição. Essa compreensão é difícil e é importante também.”
Homero Mafra ressaltou: “Elas trouxeram uma perplexidade, que é nossa também, da necessidade de termos no Brasil a duração razoável do processo. O que é a duração razoável do processo? Como conciliarmos as necessidades imprescindíveis da garantia do direito de defesa, dos recursos que a lei prevê, com a necessária e imprescindível também de celeridade do processo? Promove-se injustiça tanto quando eu firo as garantias da defesa quando eu demoro a fazer o processo.”
“Hoje este é um desafio que está posto para nós. Como conciliarmos isso? Não temos resposta, mas nós precisamos pensar sobre isso”, acrescentou.
“Neste caso cabe à Ordem ouvir. É importante que todos nós façamos esta discussão, não sobre o mérito da decisão, mas sobre o que acontece no sistema jurídico brasileiro. Acho que as pessoas buscam mais uma compreensão de como funciona do que um pedido de socorro e uma delas teve uma frase de uma sensatez absoluta, ‘não buscamos vingança, buscamos justiça’ e eu só faço justiça quando eu tiver um processo que garanta o direito do acusado e que seja rápido para que os fatos não caiam no esquecimento.”, enfatizou o presidente da Ordem.
Umas das mães, que esteve na Ordem, Selma Santos, disse que procura uma orientação. A filha de Selma foi assassinada no dia 07 e março. O suspeito do crime foi preso um dia depois. Na última terça-feira (27) ele foi solto e ficará à disposição da Justiça. “A gente quer saber o que fazer, quem procurar. Precisamos de justiça para os pais. Nós não buscamos vingança, buscamos justiça. Queremos saber por onde começar e o que fazer. Precisamos de orientação. É por isso que viemos aqui. Quantas outas meninas têm que morrer?”, desabafou a mãe da jovem.
O Conselho Estadual de Defesa da Mulher está publicando uma nota de repúdio sobre o caso da filha de Selma. A representante da OAB-ES, advogada Carla da Matta Machado Pedreira, membro da coordenadoria da Comissão de Violência Contra a Mulher, vai acompanhar o caso.
