OAB-ES e conselhos inspecionam Unaed e constatam condições desumanas



A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), representada pela advogada Carla da Matta Machado Pedreira, se reuniu, nesta quarta-feira (22), com representantes de conselhos de classe para discutir as medidas que serão adotadas após inspeção feita na Unidade Atendimento ao Deficiente (Unaed). De acordo com a advogada, será elaborado um relatório geral com informações de cada conselho relatando os problemas encontrados.

Carla Pedreira afirmou que os pacientes continuam vivendo em condições desumanas: “Não houve melhoria nenhuma desde 2009, quando a Comissão de Direitos Humanos da OAB esteve no local, após uma denúncia. Atualmente a situação está ainda pior. O espaço tem que ter o mínimo de estrutura física e ambiente. Hoje são 21 internos, que estão enclausurados. Eles vivem em grades. A única área de lazer com um toldo em frente à BR foi retirada”, relatou a advogada.

No último dia 14 de janeiro, a OAB-ES, representada pela advogada, realizou uma inspeção na Unaed, juntamente com os conselhos de psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional, serviço social, medicina, farmárcia, enfermagem, nutrição e engenharia, e Sindiadvogados. Na ocasião, foi constatada a falta de estrutura em diversos segmentos para atender os internos.

A fiscal do Conselho Regional de Farmácia, Luciana de Oliveira Ventura, afirmou que identificou medicamentos fracionados e local inadequado. “Observamos remédios em cima de relatórios, em locais onde havia mofo na estrutura física e até medicamentos vencidos. Nós fiscalizamos o exercício profissional diante de uma sociedade. E neste caso, vimos um ambiente completamente insalubre”, ressaltou Luciana de Oliveira.

Para a representante do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Thaís Regina Suguikawa, o ideal seria que um profissional da área estivesse atuando dentro da Unidade para garantir o tratamentos dos pacientes. “São pacientes com déficit motor, neurológico, mental e alguns físicos. Independentemente de haver ou não uma avaliação individual, no geral vimos que existe demanda para fisioterapia e terapia ocupacional. Só tem um paciente encaminhado para tratamento e já faz dois meses que está aguardando na lista de espera”, informou Thaís Regina Suguikawa. Eunice Garcia da Silva Souza, conselheira do órgão, destaca: “Sem estímulos, a tendência no quadro destes pacientes é regredir.”

O espaço é administrado pelo Instituto de Atendimento Sócio-Educativo (Iases),  destinado ao atendimento de adolescentes portadores de necessidades especiais. Cabe salientar que os menores que estão no local não cometeram nenhum tipo de infração, mas estão internados para tratamento.

 

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