Inaugurado na OAB-ES o Escritório Coletivo Arlon José de Oliveira
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Espírito Santo (OAB-ES) inaugurou nesta quinta-feira (15), o Escritório Coletivo Arlon José de Oliveira, na sede da instituição. Na cerimônia de inauguração, o presidente Homero Junger Mafra afirmou: "Estamos instalando nosso escritório coletivo. Coletivo sim, pois nosso projeto é de toda a advocacia, é de todos os advogados."
O presidente da OAB-ES lembrou que assumiu "trazendo um compromisso com a advocacia militante, com a advocacia que quase nunca teve voz". Disse, ainda, que o Escritório Coletivo "representa o espaço de atuação daqueles que sabem o que e como fazer mas que, por força de uma sociedade marcada por injustiças flagrantes, não conseguem construir o seu espaço para o exercício profissional pleno e digno. "
Homero Mafra lembrou que o Escritório Coletivo "é de todos, dos mais jovens e dos não tão jovens."
Ao se referir à escolha do advogado Arlon José de Oliveira para ser o patrono do Escritório Coletivo, o presidente da Ordem ressaltou que ele "foi, e vai ser sempre, sinônimo de fraternidade, de justiça, de divisão do pão, de entrega, de luta pelo próximo".
Homero Mafra aproveitou a ocasião para destacar que Diretoria da OAB-ES tem "compromisso com a advocacia, com a valorização do advogado, com a postura ética, com a defesa intransigente das causas que nos são confiadas - individual e coletivamente.
"Advogar", afirmou, "é lutar pelo respeito à integridade da pessoa humana e por isso a Ordem, a corporação dos advogados, vai sempre denunciar a tortura." E acrescentou: "Advogar é ser a voz do cidadão, e por essa razão somos tão rigorosos na defesa de nossas prerrogativas, instrumento essencial a nosso exercício profissional."
Entre os presentes à cerimônia de inauguração do Escritório Coletivo estavam os presidentes das Subseções de Cachoeiro de Itapemirim, de Guarapari, e de Vila Velha, respectivamente, Robson Louzada, Jedson Marchesi Maioli e Marcus Felipe Botelho Pereira, o tesoureiro e a subsecretária adjunta da Ordem, Délio Prates e Flávia Brandão Maia, respectivamente, o presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES), Carlos Augusto Alledi, o conselheiro federal Setembrino Pelissari, advogados e advogadas capixabas.
A esposa do advogado Arlon José de Oliveira, Célia Vieira de Oliveira, e sua sobrinha, a juíza Cláudia Vieira de Oliveira, participaram da solenidade. Célia de Oliveira falou da sua emoção pela homenagem prestada ao marido, falecido em 1991: "Ele era um grande idealista e sempre me orgulhei de ser sua esposa e companheira. Ele fazia da profissão uma religião e é uma emoção muito grande saber que sua memória ainda hoje está sendo reverenciada".
Cláudia Vieira de Oliveira também expressou sua felicidade: "Ele era um exemplo de dignidade, de respeito ao próximo e de ética. Exercia a advocacia com alma."
No espaço reservado aos advogados há três salas para atendimentos individuais, com computadores conectados à internet. Uma funcionária da OAB-ES dará assistência aos advogados. No Escritório Coletivo há, ainda, telefones, fax, impressora e publicações jurídicas para consulta.
O Escritório Coletivo está localizado no andar térreo do Edifício Ricamar, na Rua Alberto Oliveira Santos, 59, Centro, Vitória.
Confira a íntegra do discurso proferido pelo presidente Homero Mafra:
Hoje, especialmente hoje, preferi não falar de improviso. E me peguei perguntando a razão de escrever, eu que sempre deixo fluir a voz do momento.
É que, como o poeta popular, sabia que me sentiria "como criança numa farra de bombom."
Assim, preferi trocar o improviso pela palavra escrita, certamente mais fria, com certeza mais contida, evitando que "meu olho [tenha] aguamentos".
Assumimos a Ordem trazendo um compromisso com a advocacia militante, com a advocacia que quase nunca teve voz.
Muitos sonhos nos embalavam.
Estamos instalando nosso escritório coletivo.
Coletivo sim, pois nosso projeto é de toda a advocacia, é de todos os advogados.
Escritório coletivo, porque representa o espaço de atuação daqueles que sabem o que e como fazer, mas que, por força de uma sociedade marcada por injustiças flagrantes, não conseguem construir o seu espaço para o exercício profissional pleno e digno.
Coletivo sim, porque é de todos, dos mais jovens e dos não tão jovens.
Escritório Coletivo que traz, no nome de seu patrono, um compromisso com os valores mais belos que um ser humano pode guardar dentro de si.
Arlon José de Oliveira foi, e vai ser sempre, sinônimo de fraternidade, de justiça, de divisão do pão, de entrega, de luta pelo próximo.
Por suas inegáveis virtudes, por ser um advogado na inteireza da palavra, Arlon José de Oliveira foi imortalizado como patrono local da XIV Conferência Nacional da Ordem dos Advogados, realizada aqui em Vitória.
Arlo foi um daqueles imprescindíveis, que gritava e vivia, com seu exemplo, um dos trechos mais belos de nosso cancioneiro popular: "ainda viro este mundo em festa, trabalho e pão."
Agora é o nome, o patrono de nosso escritório coletivo.
Escritório Coletivo Arlon José de Oliveira.
Como é bom dizer isso. E como é difícil dizer isso.
Porque um nome que se dá é a marca de um compromisso.
E o compromisso que assumimos é o compromisso com a advocacia, com a valorização do advogado, com a postura ética, com a defesa intransigente das causas que nos são confiadas - individual e coletivamente.
Advogar é lutar pelo respeito à integridade da pessoa humana e por isso a Ordem, a corporação dos advogados, vai sempre denunciar a tortura.
Advogar é ser a voz do cidadão, e por essa razão somos tão rigorosos na defesa de nossas prerrogativas, instrumento essencial a nosso exercício profissional.
Advogar é respeitar a história e por isso lutamos por uma Comissão da Verdade que permita às famílias dos desaparecidos fazer o seu luto e venha a apontar aqueles que torturaram e mataram homens e mulheres que se encontravam sob a custódia do Estado.
Advogar é ter respeito pela cidadania, pelo que a voz da Ordem nunca se calará nem cederá a interesses de ocasião, independentes que somos.
Me sinto hoje plenamente realizado.
Esta obra não é minha, não é do Conselho, nem é de ninguém.
É de todos.
O escritório é coletivo, como coletivos são nossos sonhos.
Por isso, não posso deixar de lembrar Bertolt Brecht:
"Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia varias vezes destruída -
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Cada pagina uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?"
E com Brecht, quero homenagear Henrique e Marão, incansáveis em seu labor, essenciais para a realização do sonho de construir este espaço de dignidade.
São vocês, Marão e Henrique, são vocês, funcionários da OAB, que nos permitem concretizar aquilo que planejamos. Precisamos, em nosso trabalho na Casa dos Advogados, repetir todos os dias, como Neruda: "Naveguei construindo a alegria." Esse tem que ser, e sinto que já o é, o espírito desta Casa.
Para isso estamos lutando para construir uma Ordem viva, presente na vida e nas lutas dos advogados, comprometida com os valores da advocacia, sem donos e sem senhor.
Uma Ordem onde a alegria de servir aos advogados seja a marca e o selo da gestão. Uma Ordem dos advogados, pelos advogados e para os advogados.
Para isso nos aventuramos. Para isso, acreditamos na utopia.
E ao declarar instalado o Escritório Coletivo Arlon José de Oliveira não posso deixar de repetir o poeta, dizendo aos advogados capixabas:
"Esta é tua casa
podes pôr aqui tuas coisas.
Coloca os móveis ao teu gosto.
pede o que necessitas.
Aí está a chave".
