Escritório Coletivo será inaugurado na 0AB-ES nesta quinta, dia 15



A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Espírito Santo (OAB-ES) inaugura nesta quinta-feira (15), o Escritório Coletivo, no andar térreo da sede da instituição, no Edifício Ricamar. A solenidade será às 16 horas. Segundo o presidente da OAB-ES, Homero Junger Mafra, o Escritório Coletivo facilitará a atuação profissional dos advogados capixabas.

"Quando a Ordem se dispõe a instalar um Escritório Coletivo, tem por base o entendimento de que é preciso criar um espaço, ainda que pequeno, ainda que simples, no qual o advogado possa atender seus clientes, receber oficiais de justiça, peticionar ou fazer pesquisas", afirmou Homero Mafra.
O Escritório Coletivo terá três salas individuais, devidamente equipadas com computadores, conectados à internet, para atendimento. No mesmo espaço, serão disponibilizados aparelho de fax e impressora, além de publicações jurídicas para consulta. Uma funcionária da OAB-ES dará assistência aos advogados.

O patrono do Escritório Coletivo escolhido pela Diretoria da Ordem foi o advogado Arlon José de Oliveira. O presidente Homero Mafra explicou a escolha do nome: "Ele foi um advogado comprometido com a defesa da população, que entregou seu trabalho aos desassistidos e que, por suas qualidades pessoais, foi o patrono local da 14ª Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, que, em 1992, realizamos aqui em Vitória."

Em seguida à inauguração do Escritório Coletivo, será realizada uma cerimônia de entrega de carteiras, no Auditório da Ordem, às 17 horas.

Arlon José de Oliveira

Filho mais velho de José Inácio de Oliveira e de Maria Rodrigues de Oliveira, Arlon nasceu em Vitória (ES), no dia 2 de outubro de 1930. Criado no bairro Santo Antônio, iniciou a carreira como jornalista em meados da década de 50, quando escrevia para jornais locais e dos movimentos do Partido Comunista, do qual era militante desde a época da clandestinidade.

Em 1962, mudou-se para Brasília e continuou a carreira atuando na Folha de Brasília. Tempos depois, passou a trabalhar na Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro, além de atuar em outros jornais como cronista. Logo após o golpe de 1964, Arlon voltou a Vitória e foi trabalhar no jornal A Tribuna.

O interesse pelo Direito, natural para um homem que sempre se dedicou a ideais de justiça, aumentou e, em 1976, se formou na antiga Faculdade de Direito da capital. No ano seguinte, passou a exercer a função de defensor público, cargo que ocupou até a sua morte. Foi conselheiro da OAB-ES e também membro do Instituto dos Advogados do Espírito Santo.

Presidindo a Comissão de Direitos Humanos da Seccional, Arlon foi sempre uma pessoa humilde, piedosa, advogado de ricos e pobres. Quando se dirigiam a ele como um grande criminalista, respondia: "Sou apenas um mero curioso do direito criminal."

Preso e torturado durante a ditadura militar, nem por isso parou de lutar por justiça e igualdade para todos. Na Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES não era apenas o presidente, mas a essência e a personificação dos Direitos Humanos.

Apaixonado pelo jornalismo e pela advocacia e mais ainda pela vida e pela justiça, escreveu o livro Tabaréu de Lajedão, baseado em um crime com esquartejamento ocorrido em Vitória. Seu segundo livro, Águas em chamas, ainda inédito, foi concluído uma semana antes de sua morte, em 29 de junho de 1991. Em seu escritório o que havia sobre sua mesa era um verso de sua obra recém concluída: "Sou feliz porque eu tenho onde sonhar. Nem as águas em chamas, nem as águas da chuva, definitivamente, molharão os meus sonhos".

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