Em entrega de carteiras, Homero Mafra exalta exercício da advocacia
“Minha paixão pela advocacia, como deve ser, é por uma advocacia socialmente útil, não a advocacia como instrumento de acumulação de riqueza, mas a advocacia que harmoniza, que incluiu, que traz as pessoas para a dimensão da igualdade que nós devemos perseguir”, afirmou o presidente da OAB-ES Homero Mafra, durante a cerimônia de entrega de carteiras realizada nesta segunda-feira (22).
O presidente reafirmou as palavras do orador da turma, Luciano de Oliveira Adolfo, no trecho de seu discurso: “Quando finalmente tive a oportunidade de ter contato com o cotidiano de um advogado, descobri que era exatamente isso que eu queria fazer. Meu maior medo no primeiro contato com as profissões do direito era ter uma vida monótona e burocrática. Percebi, então, que a advocacia permitiria uma vida dinâmica e intelectualmente estimulante que eu buscava. Enfim, me apaixonei pela advocacia quando percebi que através dela eu poderia contribuir para tentar tornar real a forma idealista com a qual enxergamos o Direito. E, talvez, mais que isso, o modo como realizamos a sua principal finalidade: a justiça.”
Ao comentar a fala do orador, Homero Mafra enfatizou: “Eu tenho certeza, Luciano, que você me traduziu nesses dois parágrafos. Eu me senti nessas palavras porque essa é a vocação do advogado, a vocação é construir pontes e ser socialmente útil numa sociedade de tantas desigualdades e desmazelos.”
O presidente afirmou ainda: “O direito é poesia, é vida. Precisamos de pessoas devotadas a profissão que escolhem. Se a busca de alguns pelo Ministério Público for a busca por um emprego estável e bem pago, vou lamentar profundamente essa escolha, porque será um funcionário público que vai servir mal as pessoas, porque não vibra com aquilo que faz. As profissões exigem que nos dediquemos a ela com a alma e garra de quem quer fazer.”
Leia a íntegra do discurso do orador
Como muitos, quando decidi cursar direito, não sabia exatamente qual seria a minha escolha profissional depois do curso. Estagiei em repartições públicas, até que decidi enviar um currículo para um escritório de advocacia.
Quando finalmente tive a oportunidade de ter contato com o cotidiano de um advogado, descobri que era exatamente isso que eu queria fazer. Meu maior medo no primeiro contato com as profissões do direito era ter uma vida monótona e burocrática. Percebi, então, que a advocacia permitiria uma vida dinâmica e intelectualmente estimulante que eu buscava.
Enfim, me apaixonei pela advocacia quando percebi que através dela eu poderia contribuir para tentar tornar real a forma idealista com a qual enxergamos o Direito. E, talvez, mais que isso, o modo como realizamos a sua principal finalidade: a justiça.
No dia de nossa colação de grau juramos acreditar no direito como a melhor organização para a convivência humana, e agora cá estamos. Juramos compreender a justiça como uma consequência lógica do direito e adivinhem? Aqui estamos, advogados.
Juramos confiar na paz como resultado final da justiça defendendo, sobretudo, a liberdade... cá estamos, advogados.
Por isso, se permitem uma singela reflexão, a pergunta que eu preciso deixar é: porque seremos advogados? Para quem seremos advogados?
Muito provavelmente fomos perguntados inúmeras vezes o que gostaríamos de ser quando crescêssemos, mas talvez nunca fomos perguntados o que gostaríamos de mudar quando escolhêssemos nossa profissão.
Há poucas semanas juramos acreditar na compreensão, interpretação e aplicação do Direito como instrumento de justiça e paz. A partir de agora será nossa responsabilidade e nosso ofício sermos parte das mudanças que almejamos e sermos porta-vozes do que juramos.
Colegas de profissão, lá fora existe uma realidade. Ela precisa ser senida, para além dos nossos escritórios. Precisa ser vista, para além da nossa janela, fechada, por conta do ar condicionado. E precisa de mudanças, que nós podemos provocar. E, por isso, eu gostaria de deixar um conselho final: não tenham medo de mudar e provocar as mudanças.
A advocacia precisa se reinventar para acompanhar os dias atuais, o advogado precisa ter maior consciência do seu papel social e da nobreza de seu ofício. Por tudo isso, eu acredito que a partir de agora, com o entusiasmo de recém-formados, poderemos ser advogados que usam ternos, mas não se escondem atrás deles. São técnicos, mas não se apoiam em vocábulos difíceis e antiquados. E são sensíveis, sem que se esvaia o seu profissionalismo.
Durante toda a nossa graduação, nossos mestres provocaram as reflexões que nos trouxeram aqui. Mas pouco, ou quase nada, será de fato conquistado, se nada fizermos.
Acredito na resiliência da sociedade, do mundo e da advocacia. Mas eles precisam ter forças para se reinventar. As mudanças são árduas, mas temos nas nossas mãos uma enorme ferramenta: a profissão que escolhemos.
As mudanças que desejamos ver precisam começar agora, assim como nossas carreiras. E que nós tenhamos muito sucesso. Nós advogados, e o mundo.
Luciano de Oliveira Adolfo

