Justiça
Artigo: “A Segurança e o direito de defesa”
Publicado em 25 de Fevereiro de 2019 • 12:47
Ninguém ignora que, mesmo atrás das grades, traficantes seguem comandando facções, ordenando crimes. Essa realidade tem feito as forças de segurança mirarem na comunicação entre os presos e seus asseclas em liberdade, colocando em discussão todos os canais usados por eles. O Ministério da Justiça propõe uma série de medidas drásticas e cuja constitucionalidade certamente será questionada. Enquanto essa discussão não avança no Congresso, as autoridades tentam saídas para frear a violência. Acontece que essa busca não pode atropelar o pleno direito de defesa e o exercício da advocacia.
É obviamente impossível haver Justiça sem defesa, ou defesa sem a comunicação privada entre o advogado e seu cliente, ainda que isso não signifique que alguém esteja legalmente autorizado a portar ordens criminosas. Todos os dias, milhares de advogados visitam seus clientes encarcerados, pois não há outra maneira de conhecer sua versão para os fatos, de identificar as testemunhas e outras provas, de discutir as linhas de argumentação. Não fazem assim porque gostam de dar trabalho à administração penitenciária, e muito menos porque são pombos-correio; apenas também não são telepatas. E, claro, todo policial gostaria de saber o que conversam o acusado e seu defensor, mas ninguém revela o que o Ministério Público conversa com a polícia: o sigilo, em ambos os casos, é da lei e é da lógica do processo criminal.
Pode haver suspeitas plausíveis de abuso das imunidades profissionais, mas obviamente, se confirmadas, atingiriam casos pontuais, não a categoria indispensável dos advogados, da mesma forma como a maioria esmagadora dos policiais e promotores é honesta e não pode ser julgada pelas exceções.
Sempre que qualquer desses profissionais trai seus juramentos, comete um ultraje contra a sociedade, denegrindo seus colegas e o seu órgão de classe, que jamais seriam condescendentes. Por outro lado, a única maneira de separar o joio do trigo é a investigação específica de quaisquer suspeitos, que certamente contará com o apoio e o acompanhamento da OAB, cuja Corregedoria em seguida atuará com vigor. Todavia, essa mesma OAB não se esquivará de defender a profissão e as suas prerrogativas, sem as quais não pode haver Justiça digna deste nome, sem as quais o sistema de punição criminal se tornaria apenas um moedor de carne.
José Carlos Rizk Filho, Presidente da OAB-ES
Henrique Geaquinto Herkenhoff, Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-ES
NOTÍCIAS RELACIONADAS
REESTRUTURAÇÃO
OAB-ES entrega sala de apoio à advocacia reestruturada no Fórum de Ibatiba
Espaço foi renovado e agora oferece mais conforto, equipamentos e privacidade para o atendimento de advogados e advogadas no Caparaó capixaba.
PRERROGATIVAS EM AÇÃO
TJES concede prisão domiciliar a advogada após atuação da OAB-ES
Decisão ocorre após apresentação de documentos, sustentação oral e diligência para verificar irregularidades nas condições de custódia.
CAPTAÇÃO IRREGULAR DE CLIENTES
OAB-ES aciona a Justiça contra captação irregular de clientes em serviços previdenciários
Ação Civil Pública busca impedir o exercício de atividades privativas da advocacia por empresas não habilitadas e combater práticas de concor...
INSCRIÇÃO SUPLEMENTAR
Presidente da OAB-ES integrará grupo de trabalho da OAB Nacional sobre regras de inscrição suplementar
Erica Neves participará das discussões para aperfeiçoar os critérios de inscrição de advogados que atuam em mais de um estado