Elseana Maria Valim de Paula

Conhecimento é Poder. Será?

 

Há estudos indicando que, em toda a história da humanidade, as pessoas nunca tiveram tanto acesso ao conhecimento como possuem hoje, após o advento e popularização da internet.

 

Contudo, diferente do que preconizou o filósofo Francis Bacon, em 1600, o conhecimento não parece estar empoderando, menos ainda ajudando a maioria dos (as) advogados (as) a levar uma vida plena, feliz e satisfatória.

 

A realidade que se apresenta à advocacia, ao judiciário, no dia a dia, cada vez mais está cheia de obstáculos, desafios e problemas, por vezes, sem solução, ou que pelo menos de difícil resolução para as partes.

 

E é sob esse cenário, que a Comissão de Direito Sistêmico organizou e realizou o primeiro evento, como marco inicial de sua criação nesta OAB.

 

Por ser um tema relativamente novo para a Advocacia, sobretudo para o Espírito Santo, a organização buscou trazer três profissionais com experiência para que se iniciem os trabalhos relativos ao Direito Sistêmico de forma correta, e se possa atingir dois principais objetivos: o primeiro de proporcionar aos (às) advogados (as) uma formação adequada e, segundo, de contribuir com o movimento de se buscar meios adequados de resolução de conflitos, sem necessidade de obrigatoriamente recorrer ao judiciário.

 

Sem dúvida, que é uma proposta ousada, pois na sua essência, o Direito Sistêmico é uma questão de Postura Comportamental, que exige do (a) Advogado (a) ser empático, ter escuta ativa, ser um orientador e não um solucionador de demanda, como fomos treinados e vimos atuante há anos.

 

Os palestrantes, Yulli Roter juiz de direito, Eunice Sclieck advogada e presidente da Comissão DS de Santa Catarina e Luciano Alves neuropsicólogo, bem sintonizados entre si demonstraram como é a atuação de cada um deles na prática jurídica, adotando a postura sistêmica e humanista.

 

Os participantes, em sua maioria advogados (as), mas tinham psicólogos, nutricionista, médico, foram unânimes na avaliação de que o evento cumpriu de forma simples e objetiva com a proposta de indicar uma alternativa humanizada para se lidar com as questões das demandas, incluindo os (as) advogados (as) que devem antes de tudo trabalhar o seu próprio comportamento, eminentemente beligerante, pois todos podem e têm direito de viver de modo mais leve, mais harmonioso, podendo diminuir o estresse ou deixar quem sabe fazer parte do passado.

 

Uma questão que ficou bem clara é de que Direito Sistêmico, como foi inicialmente concebido é usado por alguns juízes. Mas que a abordagem e atuação no campo da advocacia deve ser uma construção coletiva da classe. E isso é o que espera a presidente da Comissão Elseana de Paula, principalmente, agora que foi criada, em 21/11/2019, pela Diretor Geral da ESA Nacional, a Coordenação Nacional da Temática do Direito Sistêmico, em que a advogada Eunice Schlieck é a Coordenadora Geral.

 

Ou seja, confirma-se que a natureza jurídica de solução para conflitos, do Direito Sistêmico, implica desenvolver as soft skills, a começar pela  auto responsabilidade, deixando assim de culpar as circunstâncias adversas pela inexistência de paz.

 





Elseana Maria Valim de Paula é advogada e presidente da Comissão de Direito Sistêmico da OAB-ES. 

 

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