Henrique Geanquinto Herkenhoff

Cavalo de Troia

Há poucas coisas que agrandem tanto à população e, contudo, lhe prestem tanto desserviço quanto pequenas unidades policiais espalhadas pelo território. Elas são um monumento à imobilidade, à burocracia e ao desperdício de recursos.
Unidades fechadas à noite e no fim de semana simplesmente não podem atender à maior parte das ocorrências. Ao contrário, vez por outra elas é que são arrombadas, levando-se armas, munição, drogas... Também é frequente que alguém comunique um crime em andamento a um policial que responde não poder sair do local - e não pode mesmo... Ah, sim, essas unidades também são boas para compor manchetes do tipo "assaltado a dez metros da delegacia". Servem apenas para irritar a população e desmoralizar as instituições.
Quanto mais disperso o efetivo policial, mais burocrático e menos operacional ele se torna. Unidades pequenas aumentam a necessidade de proteger as suas próprias repartições, aumentam o número de gerentes e serviços administrativos, dividem as já insuficientes forças de segurança, inviabilizam o funcionamento ininterrupto - e delegacias que fecham quando você mais precisa delas simplesmente não deveriam existir.
Distribuir unidades por todo lado segue a lógica de quando não havia telefone nem veículos automotores. Elas podem ainda funcionar bem em países baixos, que não se justifiquem patrulhamentos preventivos em plantões: o policial é o seu vizinho, você o acorda quando necessário.
Os partidários da filosofia de policialmento comunitário defendem esses postos policiais como mecanismo de interação com a população. Todavia, isso não resolve o problema de quem vai "interagir" com os criminosos, dobrando a necessidade de efetivo para cuidar de uma mesma área. Isso seria muito bom se os policiais nascessem em árvores e sobrevivessem por fotossíntese, mas eles são um recurso finito. Isto simplesmente inviabilizaria o policiamento preventivo no local, a não ser que soldados fossem transferidos de outra região, que passaria a sofrer.
Atenta a tudo isto, a PMES está buscando implantar bases móveis, o que pode ser uma solução. Ainda assim, como regra geral, policiais devem estar concentrados, em plantões todos os minutos de cada ano, com grandes recursos de mobilidade e comunicação. Da próxima vez em que lhe propuserem uma delegacia de bairro ou um posto policial fixo, pense bem: pode ser uma péssima ideia.

*Henrique Geanquinto Herkenhoff é professor de mestrado em Segurança Pública
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